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Fuzis que abasteciam “Comando Vermelho” no Rio de Janeiro eram fabricados em São Paulo e Minas Gerais

Detalhes mais aprofundados revelados pelas investigações da Polícia Federal (PF) e outras forças de segurança
Fuzis que abasteciam "Comando Vermelho" no Rio de Janeiro eram fabricados
Foto: Reprodução

As investigações e operações policiais mais recentes confirmaram a existência de fábricas clandestinas de fuzis em estados como Minas Gerais e São Paulo (notadamente no interior paulista) que estavam produzindo armamentos de alta precisão.

​O material bélico, incluindo fuzis AR-15 e outros calibres, era destinado a diversas organizações criminosas, sendo o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro um dos principais compradores. Além do CV, o esquema também abastecia outras facções e grupos criminosos em diferentes estados.

As descobertas mostram que não se tratava de uma produção rudimentar, mas sim de um esquema de manufatura altamente profissional.

Aqui estão os detalhes mais específicos sobre o esquema:

1. Nível de Sofisticação Industrial

Fábrica Profissional: As investigações revelaram que as fábricas, como a desmantelada em Santa Bárbara d’Oeste (SP), não eram “fábricas de garagem” ou operações baseadas em impressoras 3D. Eram plantas industriais profissionais.

Equipamentos de Alta Precisão: Foram apreendidos equipamentos caros e de alta precisão, como tornos e fresadores industriais, que custam milhões de reais. Isso permitia a produção de armas com nível de qualidade e precisão muito próximos aos de fábricas legais.

Produção Completa: Em alguns casos, a quadrilha tinha capacidade de fabricar o fuzil por inteiro, incluindo componentes que eram difíceis de importar ou obter.

2. Capacidade e Logística

Capacidade Anual: Uma das fábricas descobertas tinha a capacidade de montar ou produzir até 3.500 fuzis por ano, o que demonstra o volume de armamento que estava sendo injetado no crime organizado.

Armas e Calibres: O foco era a produção de fuzis de assalto, principalmente do tipo AR-15 (ou variantes como R15/A15), além de peças e componentes. Em uma das apreensões, foi mencionado até um fuzil .50 (ponto cinquenta), armamento de altíssimo poder de fogo, capaz de perfurar blindagens e até abater aeronaves.

Cadeia de Suprimentos: Componentes para a montagem dos fuzis eram frequentemente importados, sendo identificada a origem em países como Estados Unidos e China.

3. Conexão com o Crime Organizado

Destino Principal: Os fuzis eram destinados, prioritariamente, ao Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, sendo entregues em áreas controladas pela facção, como o Complexo do Alemão e a Rocinha.

Abrangência Nacional: A rede criminosa, alvo de operações como a “Senhores da Guerra”, não se restringia ao eixo Rio-São Paulo-Minas Gerais, mas também abastecia facções e grupos de Novo Cangaço (quadrilhas que atacam bancos e carros-fortes) em outros estados do Brasil.

Estrutura da Quadrilha: A organização tinha uma estrutura bem definida, com líderes e indivíduos responsáveis por cooptar clientes e gerenciar a logística.

Em resumo, as investigações revelaram um esquema de tráfico e produção de armas que operava com uma estrutura industrial complexa, aproveitando a expertise técnica para fabricar um volume massivo de armamento de guerra para as maiores facções criminosas do país.

Colaboração: Post de Respeito à constituição

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