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Inquérito da ONU conclui que Israel incitou genocídio em Gaza

Israel nega e diz que acusações são "escandalosas"
Inquérito da ONU conclui que Israel incitou genocídio
Foto: REUTERS/RAMADAN ABED/PROIBIDA REPRODUÇÃO

Uma comissão de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu, nesta terça-feira
(16), que Israel cometeu genocídio em Gaza e que as principais autoridades israelenses, incluindo
o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos – acusações que Israel chamou de
escandalosas.

O relatório da ONU, divulgado no momento em que Israel anunciou o início de uma
operação terrestre na Cidade de Gaza, cita exemplos da escala de assassinatos, bloqueios
de ajuda, deslocamento forçado e a destruição de uma clínica de fertilidade para respaldar
sua conclusão de genocídio, somando-se a uma associação de acadêmicos e grupos de
direitos que chegaram à mesma conclusão.

“Hoje testemunhamos, em tempo real, como a promessa de ‘nunca mais’
é quebrada e testada aos olhos do mundo. O genocídio em curso em
Gaza é um ultraje moral e uma emergência legal”, disse Navi Pillay, chefe
da Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado e ex-juíza
do Tribunal Penal Internacional, em entrevista coletiva em Genebra.

“A responsabilidade por esses crimes de atrocidade recai sobre as autoridades israelenses nos
mais altos escalões, que orquestraram uma campanha genocida por quase dois anos com a
intenção específica de destruir o grupo palestino em Gaza.”

Israel rejeita relatório

O presidente israelense, Isaac Herzog, que também foi citado no relatório, condenou as
conclusões, que, segundo ele, interpretaram mal suas palavras

“Enquanto Israel defende seu povo e busca o retorno dos reféns, essa
comissão moralmente falida está obcecada em culpar o Estado judeu,
encobrindo as atrocidades do Hamas e transformando as vítimas de um
dos piores massacres dos tempos modernos em acusadas”, disse ele.

O embaixador israelense na ONU em Genebra, Daniel Meron, chamou o relatório de
“escandaloso” e “falso”, dizendo que ele havia sido criado por “representantes do Hamas”.

“Israel rejeita categoricamente a calúnia publicada hoje por essa
comissão de inquérito”, declarou Meron a jornalistas.

Israel acusa a comissão de ter uma agenda política contra Israel e de divergir de seu mandato, e
se recusou a cooperar com ela.

Solicitada a responder aos comentários de Israel, Pillay disse: “Gostaria que eles nos dissessem
onde erramos nesses fatos, ou simplesmente cooperassem conosco”.

A análise jurídica, de 72 páginas, da comissão é a conclusão mais forte da ONU até o momento,
mas o órgão é independente e não fala oficialmente pelas Nações Unidas. A ONU ainda não usou
o termo “genocídio”, mas está sob crescente pressão para fazê-lo.

Pillay disse que espera que o chefe de direitos da ONU, Volker Turk, e o secretário-geral António
Guterres leiam o relatório e “sejam guiados pelos fatos”.

Israel enfrenta um processo de genocídio na Corte Internacional de Justiça em Haia. O país
rejeitou as acusações, citando seu direito à autodefesa após o ataque do Hamas em 7 de outubro
de 2023, que matou 1.200 pessoas e resultou em 251 reféns, de acordo com os registros
israelenses.

A guerra subsequente em Gaza matou mais de 64 mil pessoas, de acordo com as autoridades de
saúde de Gaza, enquanto um monitor global da fome afirma que parte do território está sofrendo
de fome.

A Convenção sobre Genocídio da ONU de 1948, adotada na esteira do assassinato em massa de
judeus pela Alemanha nazista, define genocídio como crimes cometidos “com a intenção de
destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.

  • (Reportagem adicional de Stephanie van den Berg e Tamar Uriel-Beeri)
    *É proibida a reprodução deste conteúdo

Fonte: Agência Brasil

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