Gaza está prestes a ficar sem alimentos terapêuticos especializados, necessários para
salvar a vida de crianças gravemente desnutridas, segundo denuncia da Organização
das Nações Unidas (ONU) e agências humanitárias.
Segundo ele, os suprimentos de Alimentos Terapêuticos Prontos para Uso (RUTF),
um tratamento crucial, estarão esgotados em meados de agosto se nada mudar até
lá.
“Isso é realmente perigoso para as crianças, pois elas enfrentam fome e desnutrição no
momento”, acrescentou.
Oweis disse que o Unicef só tem RUTF suficiente para tratar 3 mil crianças. Somente
nas duas primeiras semanas de julho, a entidade tratou 5 mil crianças com
desnutrição aguda em Gaza.
Os suprimentos RUTF são nutrientes densos e com alto teor calórico, como biscoitos
de alta energia e pasta de amendoim enriquecida com leite em pó, e são essenciais
para o tratamento da desnutrição grave.
“A maioria dos suprimentos para o tratamento da desnutrição foi consumida e o que
restou nas instalações se esgotará muito em breve se não for reabastecido”, disse outro
porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira (26).
A OMS disse que o programa em Gaza que tem como objetivo prevenir a desnutrição
entre os mais vulneráveis, incluindo mulheres grávidas e crianças menores de cinco
anos, pode ser interrompido, pois os suplementos estão acabando.
Ajuda humanitária
Os estoques de alimentos de Gaza estão se esgotando desde que Israel, em guerra
com o grupo militante palestino Hamas desde outubro de 2023, cortou todos os
suprimentos para o território em março, suspendendo o bloqueio em maio, mas com
restrições que, segundo o país, são necessárias para evitar que a ajuda seja desviada
para grupos militantes.
Como resultado, as agências internacionais de ajuda dizem que apenas uma
pequena parte do que é necessário, incluindo medicamentos, está chegando às
pessoas em Gaza.
Israel afirma que está comprometido em permitir a entrada de ajuda, mas precisa
controlá-la para evitar que seja desviada por militantes.
O governo israelense afirma que permitiu a entrada de alimentos suficientes em Gaza
durante a guerra e culpa o Hamas pelo sofrimento dos 2,2 milhões de habitantes de
Gaza.
“Se eles ficarem sem suprimentos, isso também afetará os
parceiros do Unicef e outras organizações que dependem de
seus suprimentos para atender às crianças”, disse Alexandra
Saieh, Diretora Global de Política Humanitária e Advocacia da
ONG.
Fome em números
O Unicef informou que, de abril a meados de julho, 20.504 crianças foram
internadas com desnutrição aguda. Desses pacientes, 3.247 estão sofrendo de
desnutrição aguda grave, quase o triplo do número registrado nos primeiros três
meses do ano.
A desnutrição aguda grave pode levar à morte e a problemas de saúde de
desenvolvimento físico e mental de longo prazo nas crianças que sobrevivem.
A OMS disse na quarta-feira (23) que 21 crianças com menos de cinco anos de idade
estão entre as que morreram de desnutrição até agora neste ano.
Mais dois palestinos morreram de fome durante a noite, informou o Ministério da
Saúde de Gaza na quinta-feira, elevando o número total de pessoas que morreram de
fome para 113, a maioria delas nas últimas semanas, quando uma onda de fome se
abateu sobre o enclave palestino.
Fonte: Agência Brasil








