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Caracas adverte que ataque à Venezuela será calamidade para os EUA

Governo norte-americano enviou tropas para o Caribe
Caracas adverte que ataque à Venezuela será calamidade
Foto: Maxim Shemetov/Reuters/Direitos Reservados

O governo venezuelano advertiu Washington que um ataque à Venezuela será uma “calamidade”
e um “pesadelo” para os Estados Unidos (EUA), país que enviou forças militares para o Caribe,
alegando operação contra o narcotráfico.

“Seremos a sua calamidade, o seu pesadelo e isso significará também a
instabilidade de todo o continente. Por isso, o apelo é à paz. Acalmem-se,
senhores falcões dos Estados Unidos. Acalmem-se, tranquilizem-se,
porque vão causar um grande dano ao seu próprio país”, disse a vicepresidente da Venezuela.

Delcy Rodríguez falou no estado de Carabobo, durante jornada de dois dias de alistamento
voluntário da população para defender o país das alegadas ameaças dos EUA.

A dirigente destacou que os venezuelanos estão unidos, prontos e preparados para
defender o país.

“Estamos prontos para defender a Venezuela em união nacional, em paz
e tranquilidade, para garantir o nosso futuro. Os que estão a pensar no
Norte [nos EUA], aqueles que estão a pensar numa agressão militar à
Venezuela, saibam que isso vai correr muito mal”, frisou.

Segundo Delcy Rodríguez, a Venezuela está diante de “uma das calúnias mais terríveis,
para justificar a intervenção” e apoderar-se dos recursos energéticos do país.

“A questão do arquiteto do ‘narcoestado’ é simplesmente uma grande
calúnia, mas não é nova. É um padrão histórico para intervir em países
que não lhes são próximos. Intervir em países quando lhes interessa
roubar os recursos materiais desses países”, disse.

A vice-presidente da Venezuela recordou que em 2002, no momento em que o então presidente
Hugo Chávez estava temporariamente afastado do poder, a petrolífera estatal esteve paralisada
durante 62 dias, ocasionando mais de US$ 25 bilhões em perdas para o país.

“A Venezuela sabe por isso que é tão importante o alistamento dos
trabalhadores, da indústria dos hidrocarbonetos. A Venezuela e seus
trabalhadores têm plena consciência do que significa ter as maiores reservas de petróleo e de gás do mundo. E aqui estão a dizer: estou pronto para defender a paz, a tranquilidade”, afirmou.

Segundo Delcy Rodríguez, o bloqueio económico imposto pelos EUA contra a Venezuela
levou a uma migração da população, mas apesar disso o país registra 17 trimestres de
recuperação.

“O que significou o bloqueio econômico: uma migração econômica e
induzida. O povo venezuelano nunca tinha migrado, partiu sob o pretexto
de procurar novos horizontes materiais, uma esperança económica. E já
sabemos o que aconteceu. A história de como foram rejeitados, vítimas
de xenofobia e de discriminação no trabalho. E o que aconteceu aos EUA
é pior. Vai ser pior para eles se se atreverem a uma agressão, vai ser
muito pior.”

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou na quarta-feira (27) os EUA de violarem o
Tratado de Tlatelolco de 1967, que declarou a América Latina e o Caribe zonas livres de armas
nucleares, ao enviarem forças militares para a região, incluindo navios lança-mísseis e fuzileiros.

Em 18 de agosto, Nicolás Maduro determinou o deslocamento de 4,5 milhões de milicianos por
todo o país, depois de os EUA terem duplicado para US$ 50 milhões a recompensa por
informações que possam conduzir à sua detenção.

No dia seguinte, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Washington está
preparado para “usar todo o seu poder” para travar o “fluxo de drogas para o país”, o que inclui o
envio de navios e de soldados para águas próximas da Venezuela.

Em resposta, Maduro acusou os EUA de procurarem uma “mudança de regime” de forma
“terrorista e militar”.

De acordo com a CNN, os EUA começaram a enviar 4 mil fuzileiros para águas da América Latina
e Caribe a fim de combater os cartéis de tráfico de drogas, além de reforçar a presença militar na
região com aviões-radar e três contratorpedeiros com capacidade antimíssil.

Em 21 de agosto de 2025, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou aos
Estados Unidos e à Venezuela para que “resolvam as diferenças por meios pacíficos”.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Fonte: Agência Brasil

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