As forças dos Estados Unidos e do Irã trocaram ataques intensos com mísseis e drones neste fim
de semana. Teerã atacou instalações americanas em países ao redor do Golfo Pérsico neste
domingo (12) e afirmou ter fechado novamente o estratégico Estreito de Ormuz.
Os ataques foram os mais recentes de um ciclo de ataques e contra-ataques, à medida que o
Irã busca afirmar seu controle sobre a navegação pelo estreito.
A ofensiva se estendeu ao Catar, um mediador nas negociações de cessar-fogo que não era alvo
de ataques desde abril. Já os Emirados Árabes Unidos, que não eram alvo desde o início de maio,
afirmaram que suas defesas aéreas haviam interceptado mísseis e drones vindos do Irã.
A retomada da violência lança mais dúvidas sobre o futuro de um acordo provisório entre os EUA
e o Irã, assinado no mês passado, que visava reabrir o estreito e pôr fim à guerra após mais 60
dias de negociações.
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que considerava o
cessar-fogo encerrado, embora tenha deixado a porta aberta para novas negociações.
A guerra, que começou com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro,
desestabilizou o Golfo, enquanto o bloqueio efetivo do estreito pelo Irã elevou os preços da
energia, alimentando a inflação global.
Os preços mais altos, especialmente da gasolina, são politicamente delicados para Trump às
vésperas das eleições para o Congresso em novembro.
ENXURRADA DE ATAQUES
O Irã tem buscado estabelecer um sistema permanente de cobrança de taxas no estreito, que
transportava 20% dos embarques mundiais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra, e
alertou as embarcações para que não navegassem sem sua autorização.
No final do sábado (11), o Irã informou ter fechado a via navegável após disparar um tiro de
advertência que atingiu uma embarcação que seguia por uma rota não autorizada. No domingo,
informou ter imobilizado uma segunda embarcação.
A Índia informou que um de seus cidadãos estava desaparecido após um ataque ao navio portacontêineres GFS Galaxy na costa de Omã. O país, por sua vez, informou que 23 tripulantes
haviam sido resgatados. O Catar aconselhou todas as embarcações, incluindo barcos de lazer,
barcos de pesca e jet skis, a suspenderem suas atividades.
A recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, do Irã, informou no domingo que a
passagem pelo estreito não era possível no momento devido a “movimentos ilegais recentes das forças militares dos Estados Unidos na região”. As autorizações seriam emitidas “assim que a
estabilidade e a calma fossem restauradas”, afirmou.
O Comando Central dos EUA, no entanto, afirmou que suas forças estavam posicionadas para
salvaguardar a liberdade de navegação, apesar do que descreveu como “agressão, assédio,
ameaças e declarações arbitrárias” por parte do Irã.
“O Irã não controla o estreito. O tráfego está fluindo”, afirmou.
O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, reiterou a
orientação de que, apesar de uma grave ameaça à segurança, uma rota sul “ampliada” perto de
Omã estava disponível para tráfego nos dois sentidos.
O Comando Central informou que as forças dos EUA atacaram 140 alvos militares iranianos
no sábado e mais de 300 ao longo de três noites de ataques nesta semana, “para
enfraquecer a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais que
transitam livremente pelo estreito”.
A mídia estatal iraniana noticiou explosões em várias cidades portuárias e informou que um oficial
do exército iraniano havia sido morto em ataques “americano-israelenses” contra o Irã.
Em resposta, a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído um centro de comando e controle e
hangares de drones na Jordânia, aliada dos EUA; ter atacado uma estação de radar dos EUA no
Kuweit; ter atacado plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões dos EUA em Omã; e
ter destruído um centro de manutenção de jatos e instalações de comando no Catar.
O Catar, que já havia declarado que não atuaria como mediador enquanto estivesse sob ataque,
informou que três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas pela queda de estilhaços. O
país afirmou que o Irã era “totalmente responsável legalmente” pelo ataque.
Os Emirados Árabes Unidos informaram ter detectado ameaças de mísseis fora de suas
fronteiras; o Barein afirmou ter interceptado vários ataques aéreos iranianos; a Jordânia relatou
ataques com mísseis; e Omã informou ter sido alvo de ataques com drones.
Omã informou ter convocado o embaixador do Irã para protestar contra os ataques com drones
em duas regiões, e a embaixada dos EUA em Omã orientou seus cidadãos em Duqm e
Musandam a permanecerem em abrigos.
NEGOCIAÇÕES
A mais recente rodada de hostilidades ocorre após negociações em Omã, no sábado, entre o
ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o ministro das Relações Exteriores de
Omã, Badr Albusaidi. O Irã afirmou que as negociações tinham como objetivo coordenar medidas
no Estreito de Ormuz e que deveriam continuar com a presença do Catar.
Posteriormente, Araqchi discutiu os desdobramentos regionais em uma ligação telefônica com o
ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, cujo país tem sido um mediador
fundamental entre os EUA e o Irã, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.
Os EUA revogaram na terça-feira a licença que autorizava a venda de petróleo bruto iraniano
depois que petroleiros comerciais do Catar e da Arábia Saudita foram alvo de ataques.
Embora o Irã não tenha assumido a responsabilidade pelos ataques anteriores a navios, analistas
afirmam que Teerã utiliza tais ações para ganhar vantagem nas negociações.
No domingo, o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, postou no X: “A era dos
acordos unilaterais ACABOU. Nós avisamos: cumpram sua palavra ou paguem o preço. A
realidade está batendo à porta.”
(Reportagem adicional de Enas Alashray, Ahmed Elimam, Eman Abouhassira e Andrew Mills).
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Fonte: Agência Brasil









